Love Story: A biografia proibida da boate que definiu a “Boca do Luxo” em São Paulo
“Casa de todas as casas” ganha registro histórico que cruza as memórias de Luana Piovani, Janaína Torres e personagens anônimos da noite paulistana
Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)
A boate que por mais de 20 anos foi o epicentro do “after” em São Paulo ganha agora um registro definitivo. Escrita pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste, a biografia não autorizada Love Story: A Casa de Todas as Casas mergulha sem censura nos bastidores do icônico endereço do centro. A obra, que nasceu de um convite do empresário Luiz Paulo Fogguetti, não busca ser uma versão oficial, mas sim um mosaico de memórias que cruzam jornalismo, comportamento e cultura urbana.
Dividido entre a “Boca do Lixo” e a “Boca do Luxo”, o livro reconstrói a história da casa a partir de mais de 25 horas de depoimentos. O ponto central da narrativa é a ausência de hierarquias: na Love Story, a fama e o anonimato coexistiam no mesmo espaço.
A chef Janaína Torres, eleita a melhor do mundo e figura central da gastronomia atual, relembra no livro como o espaço era democrático:
“Muitas vezes chegava direto do trabalho, com roupa de cozinheira, toda engordurada. E o tratamento era exatamente o mesmo.”
A atriz Luana Piovani também destaca a curadoria musical caótica e libertadora, definindo a casa como “três degraus acima da loucura de qualquer trilha sonora de festa”.
De Pantera Negra à realeza europeia
Um dos grandes trunfos da biografia são as passagens inéditas de figuras internacionais que cruzaram a icônica porta da casa. O astro Chadwick Boseman, protagonista de Pantera Negra, teria passado uma noite inteira na boate sem ser incomodado, protegido pelo rigoroso pacto de discrição que os seguranças mantinham.
O livro também registra a visita de Ari Behn, então marido da princesa Märtha Louise, da Noruega, que chegou a gravar cenas de um programa europeu dentro da boate. Esse controle de privacidade era tão rígido que artistas como o cantor Thiaguinho evitavam o local ou saíam apressadamente ao perceberem o risco de exposição mediática — os seguranças revistavam frequentadores e controlavam o uso de câmeras com punho de ferro.
Longe de apenas romantizar o passado, os autores Katia Simões e Roberto Prioste documentam as contradições da noite. Love Story: A Casa de Todas as Casas se apresenta como um espelho de uma São Paulo que não pedia licença para existir. Entre travestis, empresários, artistas escondidos e frequentadores anônimos, a obra imortaliza o espaço que, para muitos, foi a “casa de todas as casas”.
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