LUTO

Morre Afrika Bambaataa, pioneiro do hip hop e criador de ‘Planet Rock’, aos 68 anos

DJ e rapper nascido no Bronx foi um dos fundadores do gênero e influenciou diretamente o surgimento do funk carioca no Brasil; nos últimos anos, enfrentou processos por abuso sexual

Kadu Soares (@soareskaa)

Afrika Bambaataa
Foto: Johnny Nunez/WireImage

Afrika Bambaataa, um dos criadores do hip hop e figura central na formação da cultura de rua que nasceu no Bronx nos anos 1970, morreu nesta quinta, 9, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, em decorrência de complicações de um câncer. A informação foi divulgada pelo TMZ. Ele tinha 68 anos.

Nascido Lance Taylor, em 1957, filho de imigrantes jamaicanos e barbadenses, Bambaataa cresceu nos projetos habitacionais do Bronx River e se tornaria uma das forças mais influentes da música popular do século XX.

Antes de virar ícone cultural, Bambaataa integrou a gangue Black Spades, chegando ao posto de “warlord”, líder de guerra. Foi a partir dessa vivência nas ruas do sul do Bronx que ele começou, nos anos 1970, a organizar festas de rua onde o hip hop tomava forma. Essas reuniões foram o embrião do que se tornaria um movimento global. Em 1980, lançou seu primeiro single, “Zulu Nation Throwdown”, em referência à Universal Zulu Nation, coletivo artístico que reunia rappers, grafiteiros, b-boys e outros integrantes da cultura hip hop, organização que ele mesmo fundou como alternativa à violência das gangues.

O auge de sua influência veio em 1982, com “Planet Rock”, produzida com Arthur Baker e que sampleava “Trans-Europe Express” do Kraftwerk. A faixa chegou à quarta posição nas paradas de R&B dos Estados Unidos e criou o que ficou conhecido como electro-funk, uma fusão futurista de hip hop com eletrônica que influenciou diretamente o techno, o house e a música eletrônica de pista em todo o mundo. No Brasil, o impacto foi visto nas batidas secas da caixa eletrônica TR-808 e os samples eletrônicos de “Planet Rock”, que deram a base rítmica das “melôs” dos bailes cariocas nos anos 1980 e 1990, que mais tarde se transformariam em sucessos nacionais do funk. Em 1985, Bambaataa participou do álbum coletivo Sun City, projeto antiapartheid que reuniu Joey Ramone, Run-D.M.C., U2 e dezenas de outros artistas.

Entretanto, os últimos anos de vida de Bambaataa foram marcados por acusações graves. Em 2016, vários homens relataram publicamente ter sido abusados sexualmente por ele quando eram menores de idade, em episódios que teriam ocorrido nas décadas de 1980 e 1990, acusações que o artista sempre negou. As denúncias provocaram uma crise na Universal Zulu Nation, com dezenas de membros pedindo demissão, e Bambaataa se afastou da liderança da organização. Em 2024, o rapper francês Solo, do coletivo Assassin, também declarou ter sido vítima quando tinha 17 anos. Em 2025, um juiz emitiu sentença à revelia contra Bambaataa, após ele não responder ao processo, num caso que o acusava de tráfico sexual, obrigando-o a pagar um acordo financeiro ao autor da ação.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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