MERCADO ABERTO

Por que as histórias de amor dominam o entretenimento em tempos de crise, segundo site

Análise aponta que o público jovem busca nas telas a previsibilidade e a esperança que faltam no cenário geopolítico, consolidando o gênero como fenômeno de massas

Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)

Por que as histórias de amor dominam o entretenimento em tempos de crise, segundo site - Crédito: Divulgação

Em um período marcado por incertezas geopolíticas e rápidas transformações sociais, a indústria do entretenimento identifica uma tendência clara de comportamento: a ascensão do romance como o principal motor de audiência no streaming.

Em entrevista ao portal americano Deadline, David Madden e Jason Goldberg, executivos da Wattpad Webtoon Studios, analisaram como o gênero deixou de ser apenas um nicho para se tornar um porto seguro emocional para o público global.

Segundo Madden, a demanda por narrativas românticas está diretamente ligada à necessidade de previsibilidade em tempos caóticos. “O romance é uma chave para a narrativa e sempre foi um elemento básico. Dito isso, em tempos que são confusos e um tanto desorientadores em nível global, há mais ênfase na realização pessoal”, afirmou o executivo, destacando que o gênero oferece uma sensação de ordem e satisfação que o mundo real muitas vezes falha em entregar.

A análise apresentada ao Deadline sugere que o sucesso de produções como O Verão Que Mudou Minha Vida e a trilogia Culpados não é apenas uma coincidência de mercado, mas uma resposta psicológica da audiência. Madden, um veterano com passagens pela AMC Networks e Fox Television Studios, argumentou que o amor nas telas funciona como um contraponto necessário ao cenário atual.

“O romance nunca desaparece. É uma parte fundamental da nossa busca pela felicidade, mas acho que é especialmente importante quando é mais difícil saber no que mais acreditar ou no que se segurar”, explicou à publicação. Para o estúdio, essa conexão emocional profunda explica por que, mesmo em gêneros híbridos como fantasia, ficção científica ou terror, o elemento romântico tende a ser o fator que garante o engajamento e a fidelidade dos espectadores, especialmente entre a Geração Z e os jovens adultos.

A estratégia de focar no romance também se provou financeiramente rentável, criando o que os executivos chamam de uma “fábrica de sucessos” baseada em obras que já possuem milhões de leituras online. Jason Goldberg ressaltou ao Deadline que o gênero é o soberano absoluto dentro das plataformas digitais de escrita, influenciando até mesmo as decisões de escalação de elenco para atrair novos públicos.

“Temos coisas em todos os gêneros, mas acho que o romance continua sendo o rei no Wattpad e no Webtoon”, afirmou Goldberg, notando que essa onipresença permite que os estúdios construam franquias sólidas e duradouras.

O fenômeno das histórias de amor, portanto, deixa de ser visto pela indústria apenas como entretenimento leve e passa a ser tratado como um pilar de estabilidade comercial em um mercado de streaming cada vez mais competitivo e fragmentado.

A recepção calorosa da audiência a títulos como O Bad Boy e Eu reforça a tese de que o público busca ativamente por histórias que provoquem catarse e esperança.

Madden pontuou ao Deadline que a opinião da crítica especializada muitas vezes diverge do sentimento visceral dos fãs, que são os verdadeiros impulsionadores dessas obras. “O público desses filmes expressa seus sentimentos de uma maneira muito clara. Essas são as críticas: as pessoas vindo em massa e dizendo: ‘Isso me emocionou. Isso me fez rir. Isso me deu esperança. Isso me fez chorar'”, concluiu o executivo.

Para a indústria em 2026, o romance consolidou-se como o gênero resiliente por excelência, provando que, quanto mais complexo o cenário externo se torna, mais os espectadores recorrem a histórias que reafirmam a possibilidade de conexão humana e finais felizes.

FONTE: DEADLINE

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Jornalista em formação pela Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, Giulia Cardoso começou em 2020 como voluntária em portais de cinema. Já foi estagiária na Perifacon e agora trabalha no núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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