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The Boys: Por que a 5ª temporada carrega o peso do próprio declínio narrativo

Enquanto Eric Kripke prepara o desfecho da história, a série enfrenta o desafio de recuperar a acidez original em meio a um mar de derivados e fórmulas repetitivas

Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)

The Boys: Por que a 5ª temporada carrega o peso do próprio declínio narrativo
The Boys: Por que a 5ª temporada carrega o peso do próprio declínio narrativo - Crédito: Divulgação

Após um hiato de dois anos, The Boys retorna em 2026 para sua aguardada quinta temporada em um cenário radicalmente diferente de sua estreia. O que começou como uma sátira feroz à hegemonia dos super-heróis e ao corporativismo predatório da Disney e Warner, agora caminha sobre o fio da navalha.

Como uma das produções mais assistidas do Prime Video, a série de Eric Kripke enfrenta o paradoxo de ter se tornado exatamente o tipo de “monolito de entretenimento” que costumava ridicularizar.

O principal ponto de crítica entre especialistas e fãs recai sobre o inchaço da franquia. Se antes a Vought servia apenas para piadas sobre a saturação do MCU, hoje a realidade da Amazon não é muito diferente. O sucesso de The Boys gerou uma linhagem de derivados que inclui desde a animação Diabolical até a série Gen V, que recentemente encerrou sua segunda temporada.

Embora Gen V tenha tentado se vender como uma alegoria social, a produção acabou agindo como uma engrenagem necessária para entender a trama principal, forçando o espectador a consumir múltiplos produtos para não perder o fio da meada, uma estratégia clássica de estúdios que priorizam lucros de acionistas em detrimento da narrativa singular. Com The Boys: Mexico e Vought Rising no horizonte, o universo parece mais perto de uma bolha prestes a estourar do que de uma sátira consciente.

O Desgaste das Consequências

Narrativamente, a série também demonstra sinais de desgaste ao adotar tropos genéricos do gênero. Se nas primeiras temporadas a morte de figuras como Madelyn Stillwell e Becca Butcher estabelecia que ninguém estava a salvo, as temporadas recentes recuaram para o “escudo de protagonista”.

O uso recorrente de falsas mortes, como no caso de Queen Maeve e do próprio Soldier Boy, minou a sensação de perigo real. Além disso, a inconsistência nos níveis de poder, com Victoria Neuman tornando-se subitamente indestrutível enquanto os sentidos aguçados de Homelander falham por conveniência de roteiro, aponta para uma direção de que não mantém a coesão do mundo estabelecido.

 Alerta de George R.R. Martin

A distância cada vez maior entre a série e os quadrinhos originais de Garth Ennis também acendeu debates sobre a fidelidade das adaptações. Recentemente, o autor George R.R. Martin comentou sobre a tendência de roteiristas tentarem “melhorar” obras originais, muitas vezes com resultados inferiores.

“O livro é o livro, o filme é o filme”, afirmou Martin. “Eles sempre parecem ansiosos para pegar a história e ‘aprimorá-la’, mas novecentas e noventa e nove vezes em mil, eles a tornam pior.”

Para The Boys, essa mudança radical em relação à fonte original torna um final satisfatório e fiel ao espírito sombrio dos quadrinhos uma tarefa quase impossível. A morte de personagens como Black Noir, que teve sua importância narrativa substituída por piadas de alívio cômico, é o exemplo definitivo de como a série passou a privilegiar o choque imediato sobre a profundidade da trama.

O que esperar do encerramento?

Com o fim da linha finalmente traçado, a 5ª temporada tem a missão de corrigir o curso. Para Kripke e sua equipe, o desafio será desmantelar a máquina da Vought enquanto encerram a saga de Billy Butcher de forma que honre a acidez das temporadas iniciais.

FONTE: COLLIDER

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Jornalista em formação pela Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, Giulia Cardoso começou em 2020 como voluntária em portais de cinema. Já foi estagiária na Perifacon e agora trabalha no núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
TAGS: diabolical, Eric Kripke, Garth Ennis, Gen V, George R R Martin, the boys