REVELAÇÃO

Viúvo de Brigitte Bardot revela causa da morte da atriz

Personalidade polêmica e símbolo do cinema francês, a artista faleceu aos 91 anos e foi sepultada em Saint-Tropez nesta quarta, 7 de janeiro

Gabriela Nangino (@gabinangino)

Brigitte Bardot em 2001
Brigitte Bardot em 2001 (Foto: Charly Hel/Prestige/Getty Images)

Em 28 de dezembro de 2025, morreu a atriz icônica do cinema francês, Brigitte Bardot, aos 91 anos. Apesar das polêmicas em que se envolveu durante a vida, ela é reconhecida como um dos maiores símbolos das décadas de 1950 e 1960, e deixou sua marca eterna nas telonas.

O funeral de Bardot ocorreu nesta quarta, 7 de janeiro, na Igreja Católica Notre-Dame-de-l’Assomption em Saint-Tropez, onde ela vivia em privacidade. Antes da realização da cerimônia, Bernard d’Ormale, que era casado com a atriz desde 1992, confirmou a causa de sua morte.

Segundo o viúvo, Bardot havia sido diagnosticada com câncer e passado por duas grandes cirurgias nas semanas anteriores ao falecimento. Entretanto, d’Ormale não informou o tipo de tumor que a artista enfrentava.

Em entrevista à Paris Match, ele conversou sobre o momento em que a atriz se foi. “Eu estava meio adormecido ao lado dela”, disse (via NME). “Me sentei quando a ouvi dizer ‘Pioupiou’, aquele apelido carinhoso que usávamos um para o outro em particular, e então tudo acabou.”

“Uma sensação de paz e tranquilidade tomou conta de seu rosto. E ela se tornou incrivelmente bela novamente, como em sua juventude. Ninguém acreditaria que ela tinha 91 anos”, continuou.

O enterro foi transmitido ao vivo em três telões da cidade, localizados no porto e em duas praças, para que moradores e fãs pudessem prestar suas homenagens.

Bardot foi sepultada em um cemitério com vista para o Mar Mediterrâneo, no mesmo local em que seus pais e seu primeiro marido, Roger Vadim, estão enterrados.

Brigitte Bardot estará para sempre associada a Saint-Tropez, da qual foi a embaixadora mais deslumbrante”, declarou a prefeitura na semana de seu falecimento. “Com sua presença, personalidade e aura, ela marcou a história da nossa cidade”.

Quem foi Brigitte Bardot?

Nascida em Paris em 1934, Bardot ganhou reconhecimento em escala global após estrelar em E Deus Criou a Mulher (1956), filme dirigido por seu então marido, Roger Vadim. O longa a transformou em um ícone da liberdade sexual feminina, contrastando com as estrelas de Hollywood da época.

Sua carreira no cinema se estendeu por mais de 40 filmes incluindo grandes sucessos como O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, e A Verdade (1960), indicado ao Oscar , e ela continuou ultrapassando os limites do erotismo até se aposentar em 1973, aos 39 anos.

Bardot se afastou das telonas no auge de sua fama para se dedicar inteiramente à defesa dos direitos dos animais. Em 1986, ela fundou a Fundação Brigitte Bardot, que combate maus-tratos, caça e exploração animal, e foi reconhecida como utilidade pública na França em 1992.

No entanto, a atriz adotou posicionamentos extremistas e controversos em outros assuntos, que acabaram por ofuscar seu trabalho de caridade. Em seu livro de memórias, Um Grito no Silêncio (2003), Bardot criticou veementemente a imigração, especialmente a população muçulmana na França, lamentando a suposta “islamização da sociedade francesa”. Esse comentário levou a dezenas de processos por injúria.

A obra ainda contém passagens que desprezam membros da comunidade LGBTQ+, chamando-os de “imbecis com desvios sexuais”, e critica a participação de mulheres na política. Em 2004, Bardot foi condenada judicialmente a pagar uma multa de 5 mil euros por incitação ao ódio racial, e recebeu mais quatro multas posteriormente.

Em 2018, a atriz também incomodou o público após acusar as estrelas femininas que se manifestaram como parte do movimento feminista #MeToo de serem “hipócritas”. “Muitas atrizes flertam com produtores para conseguir um papel. Depois, quando contam a história, dizem que foram assediadas… na verdade, em vez de beneficiá-las, isso só as prejudica”, afirmou na época.

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Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.
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