OSCAR 2026

Votantes do Oscar detonam Timothée Chalamet em votação anônima

Membros da Academia revelam ranço pela postura “arrogante” de Chalamet e admitem que ninguém assiste a todos os indicados: “Todo mundo está mentindo este ano”

Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)

Votantes do Oscar detonam Timothée Chalamet em votação anônima
Votantes do Oscar detonam Timothée Chalamet em votação anônima - Crédito: Divulgação

A poucos dias da 98ª cerimônia do Oscar, a temperatura nos bastidores de Hollywood atingiu o ponto de ebulição. Em uma rodada de entrevistas exclusivas e anônimas concedidas à Entertainment Weekly, quatro membros da Academia — um ator, um diretor, um editor e uma publicitária — abriram o jogo sobre suas escolhas.

O alvo principal da fúria dos votantes se tornou Timothée Chalamet. O ator, que antes era o favorito absoluto por Marty Supreme, viu sua campanha implodir após comentários considerados prepotentes sobre seu próprio ofício e críticas públicas ao público de ópera e balé. “F***-se esse cara”, disparou um dos votantes anônimos.

Confira os destaques e as opiniões ácidas que prometem sacudir o tapete vermelho neste domingo:

O “fator Chalamet” e a honestidade dos votantes

A campanha de Chalamet foi descrita por uma publicitária como “arrogante” e “fora de tom” para 2026. Um ator veterano foi ainda mais longe: “Ele não é o Philip Seymour Hoffman. Philip nunca menosprezaria dançarinos de balé. Perdi o respeito”.

Além do ranço pessoal, o painel revelou uma “mentira branca” coletiva. Apesar da nova regra da Academia exigir que os membros assistam a todos os filmes antes de votar, um diretor admitiu rindo: “Quando os filmes têm 13 horas de duração, garanto que todo mundo está mentindo este ano”.

Melhor Atriz Coadjuvante

O apoio a Amy Madigan é forte entre os que buscam premiar uma carreira sólida. “É um desempenho para a eternidade”, diz a publicitária. Por outro lado, o diretor criticou o marketing de Uma Batalha Após a Outra, que usou o nome de Teyana Taylor apenas para ela “desaparecer após 30 minutos”. Sobre Pecadores, o consenso é que o filme subverte o gênero ao tratar de raça e história.

Melhor Ator Coadjuvante

Stellan Skarsgård é o favorito pela atuação, mas Delroy Lindo surge como um forte candidato ao “prêmio de carreira”. Um ponto polêmico: o diretor admitiu votar em Del Toro apenas para evitar que Sean Penn vença: “Ainda estou bravo com ele pela forma como tratou a Madonna. O editor chamou a atuação de Penn em Uma Batalha Após a Outra de “cartunesca”.

Melhor Atriz

A disputa está acirrada entre Jessie Buckley e Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria). “O trabalho da Rose é o filme inteiro”, diz o ator. Enquanto isso, o diretor elogiou a “face natural” de Buckley que consegue emocionar, enquanto disparou contra Emma Stone em Bugonia, chamando o filme de “versão americana ruim de Parasita. A grande surpresa foi Kate Hudson, descrita como “destemida” em seu retorno às telas.

Melhor Ator

Michael B. Jordan impressionou ao interpretar gêmeos (“Dois papéis por um, é quase injusto”), mas o coração dos críticos técnicos está com o brasileiro Wagner Moura. O editor e o diretor foram enfáticos: “Impossível imaginar o filme sem ele. Ele carrega a obra com uma complexidade fascinante”. Chalamet, como esperado, foi ignorado pelo painel.

Melhor Direção

Ryan Coogler é exaltado por inverter estereótipos raciais (como transformar cânticos folclóricos irlandeses em algo aterrorizante). Já Paul Thomas Anderson (PTA) divide opiniões: o editor o acusou de ser “politicamente regressivo” e de “fazer um ‘F-you’ para o público”, enquanto a publicitária defende que “é a hora dele, ele é um gênio”.

Melhor Filme (votação preferencial de 1 a 10)

Nesta categoria, os votantes utilizam a cédula preferencial, listando os indicados por ordem de prioridade. O objetivo é encontrar um consenso que represente o “melhor” do ano para a indústria.

O Ator: Meu voto número um foi para Hamnet. Já filmes como O Agente Secreto e Marty Supreme, eu sequer classifiquei na minha lista. Coloquei F1 e Marty Supreme no final; se houvesse duas posições de lanterna, colocaria os dois juntos. Eu amava o trabalho anterior dos Safdie, aquele caos energético de Bom Comportamento, mas cansei desse estilo. Marty Supreme me deixou exausto. Eu gosto de atores que interpretam personagens antipáticos, mas no caso do Timothée Chalamet, eu estava torcendo contra ele. Simplesmente não queria mais ver aquilo.

  1. Hamnet 2. Pecadores 3. Valor Sentimental 4. Sonhos de Trem 5. Bugonia 6. Uma Batalha Após a Outra (Absteve-se das demais posições)

O Diretor: Assistir a Pecadores é ver um filme funcionando em todos os cilindros, e olha que eu odeio filmes de terror! Por outro lado, odiei Marty Supreme; achei extremamente misógino e me deixou ansioso sem motivo. O que Ryan Coogler fez em Sinners, tanto atrás quanto na frente das câmeras, é extraordinário. Ele entregou um sucesso de bilheteria que é, ao mesmo tempo, um filme artístico belíssimo. Ele conseguiu dizer algo sobre raça no nosso país de uma forma que apelou às massas. É fenomenal.

  1. Pecadores 2. O Agente Secreto 3.Uma Batalha Após a Outra 4. Hamnet 5. Bugonia 6. Valor Sentimental 7. Frankenstein 8. Sonhos de Trem 9. F1 10. Marty Supreme

O Editor: Eu só consegui selecionar três filmes e me abstive do restante. O Agente Secreto, Hamnet e Bugonia. Bugonia foi quase um “voto de pena” porque eu me senti mal por ignorar tantos outros, mas ele é apenas decente. Comparado ao que vi no cinema no último ano, acho que ele nem deveria estar no Top 10, ao contrário dos outros dois. O Agente Secreto é extraordinário. Será um filme referenciado por muito tempo pela forma como aborda a história e a política do Brasil, misturando espionagem e suspense político. Direção, montagem, trilha e atuação… foi bem-sucedido em todas as frentes.

  1. O Agente Secreto 2. Hamnet 3. Bugonia (Absteve-se das demais posições)

A Publicitária: O que Ryan Coogler criou com Pecadores é nada menos que uma obra-prima. Existe uma razão para eu ter ido ao cinema três vezes para assisti-lo. Fiquei surpresa com a indicação de F1; não é que eu não tenha gostado, é muito divertido, mas não sei se é “Melhor Filme”. Já Sonhos de Trem me pareceu um retorno aos filmes dos anos 80, com um ritmo mais lento. É uma espécie em extinção, o tipo de cinema que não veremos mais com frequência.

  1. Pecadores 2. Valor Sentimental 3. O Agente Secreto 4. Uma Batalha Após a Outra 5. Marty Supreme 6. Bugonia 7. Hamnet 8. Frankenstein 9. Sonhos de Trem 10. F1

Jornalista em formação pela Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, Giulia Cardoso começou em 2020 como voluntária em portais de cinema. Já foi estagiária na Perifacon e agora trabalha no núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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