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Aos 63 anos, Hideo Kojima reflete sobre o tempo e a vontade de continuar criando: ‘Peciso reavaliar constantemente como uso meu tempo’

Criador de Metal Gear e Death Stranding celebra quatro décadas na indústria de jogos e diz que a lista de coisas que quer fazer só cresce, enquanto o tempo disponível diminui

Kadu Soares (@kadusoares__)

Hideo Kojima, que estrela em Zootopia 2
Hideo Kojima (Foto: Rosdiana Ciaravolo/Getty Images)

Hideo Kojima completou 63 anos no fim de agosto e aproveitou a data para uma reflexão pública sobre envelhecimento, tempo e criação. Em uma publicação no X, o criador japonês admitiu que as demandas da vida e os projetos que deseja realizar aumentam com o passar dos anos, enquanto o tempo para concretizá-los segue na direção oposta. “As coisas que ‘tenho que fazer’ e as que ‘quero fazer’ continuam crescendo. Ao mesmo tempo, o tempo que ‘tenho para fazê-las’ continua diminuindo. Preciso constantemente reavaliar como uso meu tempo e como vivo minha vida”, escreveu.

O aniversário coincide com dois marcos importantes: 2026 marca os 40 anos de Kojima na indústria de jogos e o décimo aniversário da Kojima Productions, estúdio independente que ele fundou após deixar a Konami, em 2015. Atualmente, o criador está envolvido em pelo menos quatro projetos simultâneos: o jogo de terror OD e o título de espionagem Physint, com lançamento previsto apenas para 2030, além de adaptações de Death Stranding em formato com atores e animação. Apesar da agenda lotada, ele deixou claro que suas prioridades seguem as mesmas: “Embora continue recebendo diversas oportunidades e ofertas, gostaria de permanecer focado em criar jogos”.

A reflexão sobre o tempo disponível para criar não é novidade para Kojima. No início de 2025, ele já havia abordado o tema ao escrever nas redes sociais: “Nessa idade, não consigo deixar de pensar por quanto tempo ainda serei capaz de permanecer ‘criativo’. Quero continuar pelo resto da minha vida, mas serão mais 10 anos? 20? Cada dia parece uma corrida contra o relógio”.

Além da carreira, Kojima revelou recentemente uma visão muito específica sobre como gostaria de morrer: em uma sala de cinema, logo antes de o filme começar. A declaração, feita mais cedo neste ano, sintetiza algo que atravessa toda a sua obra, a convicção de que narrativa, imagem e experiência são formas de arte que merecem ser levadas até o último momento. É esse pensamento que o mantém trabalhando em múltiplos projetos após décadas de carreira.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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