RECONHECIMENTO

Aquiles Priester: ‘Paulinho da Costa é a personificação da percussão’

Talento do lendário percussionista, capa da Rolling Stone Brasil, é celebrado pelo baterista de heavy metal: ‘quando ele toca, ele está se divertindo’

Igor Miranda (@igormirandasite)

Paulinho da Costa (Foto: Pedro Dimitrow)
Paulinho da Costa (Foto: Pedro Dimitrow)

Aquiles Priester ficou empolgado ao saber que Paulinho da Costa estamparia a capa de uma edição da Rolling Stone Brasil. O baterista, notório no heavy metal por seus trabalhos com Angra, W.A.S.P. e tantas outras bandas, havia acabado de assistir na Netflix ao documentário The Groove Under The Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, sobre o idolatrado percussionista que acumula centenas de gravações com ícones do porte de Michael Jackson, Whitney Houston e mais.

“Mesmo que não estejamos no mesmo universo de estilo, estamos no mesmo universo da percussão”, diz Aquiles, que, como Paulinho, firmou residência nos Estados Unidos e estabeleceu sua carreira por lá. Em tom de admiração, o músico de heavy metal apontou que o nome do colega de profissão “sempre aparece quando você conversa com pessoas do exterior que estão no mercado artístico há muito tempo”. São pessoas que estão “em outro nível de negócio e veem o alicerce básico de uma música”.

E, mesmo assim, todos esses profissionais confiam em Paulinho. No documentário, é retratado como o percussionista levava ideias diferentes para os artistas — e conseguia elevar o resultado final a outro patamar. “Ele ia lá e mostrava instrumentos peculiares que ele mesmo criava. Pensava além do que o produtor pedia. E os produtores deixavam que ele interpretasse. Quando chega nesse estágio, você não quer testar outras pessoas: é chamar o Paulinho por saber que ele resolve”, reflete.

Na visão de Priester, Costa é “a personificação da percussão”. Tal definição ocorre não apenas por seu talento e habilidade no instrumento, mas, também, pelo prazer que sente ao tocar. “É impressionante ver, no documentário, que as pessoas que trabalharam com o Paulinho percebem uma conexão diferente com o instrumento dele. Quando ele toca, ele está se divertindo, ele está rindo. Você vê os dentes dele sempre que está tocando”, declara.

O diferencial da percussão brasileira

Para Aquiles Priester, a percussão brasileira tem um diferencial inexplicável, surgido a partir da cultura das escolas de samba. O próprio baterista fez parte de uma, em Foz do Iguaçu, no Paraná, aos 16 anos. Ficava a cargo do tamborim. Mesmo em seus tempos como integrante do Angra, nos anos 2000, ele continuou interessado pelo tema, a ponto de, durante suas turnês pelo Nordeste, pedir para ser levado a casas de samba de gafieira.

“Aquelas pessoas [das escolas de samba] são autodidatas, não estudaram nada da parte técnica ou teórica, mas têm esse negócio na veia deles. No começo da minha era no Angra, quando tocávamos fora, havia um momento do show com uma batucada que a banda inteira fazia. Aquilo chamava a atenção de todas as bandas gringas. Bateristas como Mike Portnoy e Mike Terrana falavam que nós, brasileiros, temos uma coisa com o ritmo que é diferente. Uma pulsação com o samba que só nós entendemos.”

Ao compreender a bateria como um instrumento do universo da percussão, há outro brasileiro, além de Paulinho e Aquiles, que chama atenção por sua trajetória internacional: Iggor Cavalera. O integrante original do Sepultura foi, nas palavras de Priester, “o baterista de metal que abriu caminho não só para os brasileiros, mas para todos os bateras de metal — super importante”.

Rolling Stone Brasil – Edição impressa com Paulinho da Costa

“O Paulinho da Costa é a esquina do jazz e da música pop”, conta Oscar Rodrigues Alves (oragram), diretor do documentário “The Groove Under The Groove: Os Sons de Paulinho da Costa”, disponível apenas na Netflix.

Em encontro ao vivo com nosso publisher, Luis Maluf, na Aya Earth Partners, o percussionista foi o homenageado no primeiro Rolling Stone Talks by Johnnie Walker; em maio, o artista terá seu nome gravado na Calçada da Fama, em Hollywood.

A conversa está nesta edição da Rolling Stone Brasil, já nas bancas (físicas e digitais). Link para banca digital no site LojaPerfil.com.br.

Entrevista: Luis Maluf
Foto: Pedro Dimitrow
Direção de arte: Felipe Fiuza
Styling: Rafael Lazzini
Beleza: Natália de Almeida
Produção: Marley Galvão
Assistentes de Fotografia: Ademir Fernandes e Gustavo Develey
Tratamento de imagem: Helena Lopes
Agenciamento Dimitrow: Viviane Arnaldi
Coordenação Dimitrow: Adriana Rocha
Agradecimento: Aya Earth Partners

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Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.
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