COMENTÁRIO

Enfrentamos a Live Nation e vencemos. Eis o que o veredito significa para os fãs

As procuradoras-gerais Letitia James, de Nova York, e Jonathan Skrmetti, do Tennessee, falam sobre o julgamento histórico e por que o antitruste “não é uma questão partidária”

ROLLING STONE EUA

Aplicativo da Live Nation
Foto: Michael M. Santiago/Getty Images

Este artigo de opinião foi escrito por Letitia James e Jonathan Skrmetti*, procuradores-gerais de Nova York e do Tennessee, respectivamente. Ambos estiveram profundamente envolvidos na recente ação antitruste contra a* Live Nation e a Ticketmaster

, que terminou na semana passada com um júri considerando a empresa responsável por operar como um monopólio. Nova York e o Tennessee também estavam entre os 33 estados, além de Washington, D.C., que seguiram com o caso depois que o Departamento de Justiça fez um acordo com a Live Nation no meio do julgamento.

No mês passado, clientes da Live Nation descobriram que executivos da empresa adoram “roubar na cara dura” porque as pessoas são “tão idiotas”. A portas fechadas, esses executivos se gabavam de “esfolar” clientes de todas as formas possíveis, como cobrando “$50 para estacionar na grama” e “$60 para estacionar numa grama mais perto”.

O CEO deu o exemplo. Por exemplo, proibiu clientes de levar cadeiras de praia para um espaço ao ar livre, disse que era “pela segurança” deles e, em seguida, ganhou milhões alugando cadeiras para o público.

Para muitos norte-americanos, isso não foi surpresa. Apenas confirmou o que já sabiam por experiência própria.

Quem tentou comprar ingresso para show nos últimos anos conhece a sensação. Você entra cedo numa plataforma pouco confiável, espera numa fila digital, finalmente consegue um lugar e, então, vê o preço disparar com uma cascata de taxas misteriosas. Taxa de serviço. Taxa de conveniência. Taxa de processamento. Taxa de instalação. Quando chega ao pagamento, o custo explodiu.

Por décadas, fãs disseram que o sistema era manipulado. Artistas reclamaram de taxas excessivas. Donos de casas de shows foram obrigados a lidar com a intimidação da Live Nation. Em mercados que funcionam, empresas que se comportam assim não duram muito. O mercado de eventos ao vivo está quebrado.

Por isso construímos uma coalizão de 40 procuradores-gerais estaduais para processar a Live Nation e a Ticketmaster por manterem monopólios ilegais na indústria de eventos ao vivo. Nossa ação mostrou que elas manipularam o mercado de forma injusta a seu favor. Prenderam casas de shows em contratos de exclusividade, expulsaram concorrentes do setor e limitaram as opções de artistas sobre onde poderiam se apresentar.

Na semana passada, um júri concordou.

Após um julgamento de cinco semanas, nossa coalizão de procuradores-gerais provou que o monopólio ilegal da Live Nation e da Ticketmaster eleva os preços e prejudica fãs, artistas e casas de shows em todo o país.

O veredito foi claro: vencemos em todas as acusações.

Este caso nunca foi sobre uma taxa ruim ou uma experiência frustrante no checkout. Foi sobre como uma empresa passou a dominar quase todos os aspectos dos eventos ao vivo, de promover shows a possuir venues e vender ingressos, e depois usou esse poder para se aproveitar de consumidores.

O resultado? Preços mais altos, menos opções e uma experiência pior para fãs, artistas e casas de shows.

As provas foram esmagadoras. O júri concluiu que os fãs foram cobrados a mais por ingressos como resultado direto desse monopólio, pagando taxas mais altas.

Por décadas, artistas e fãs têm soado o alarme. Lá em 1994, Pearl Jam acusou a Ticketmaster de usar seu domínio para bloquear a concorrência e punir quem contestava sua política de preços. Mais recentemente, fãs tentando comprar ingressos para grandes turnês, como as de Taylor Swift, Beyoncé, BTS, Bruce Springsteen e Harry Styles, enfrentaram preços altíssimos, falhas de sistema e falta de alternativas reais.

Até agora, pouca coisa mudou.

Este veredito é um ponto de virada para a indústria de eventos ao vivo e para toda pessoa nos Estados Unidos que se sentiu impotente diante do aumento dos custos de ingressos. Ele afirma que nenhuma empresa, por mais poderosa que seja, está acima da lei. E prova que uma forte atuação antitruste funciona.

Esse foi um esforço bipartidário, liderado por procuradores-gerais estaduais de todo o país e de todo o espectro político, porque esta não é uma questão partidária. Mercados justos são a base da nossa economia. A concorrência impulsiona a inovação, reduz preços e dá ao consumidor uma escolha real. Quando empresas quebram essas regras, é nosso dever intervir.

Vamos consertar esse sistema quebrado. Nos próximos meses, pediremos ao tribunal que imponha medidas que restabeleçam a concorrência e entreguem alívio real aos fãs. Isso inclui consequências financeiras para a empresa e, mais importante, a quebra do monopólio da Live Nation.

Estamos lutando por um mercado de eventos ao vivo em que os fãs venham em primeiro lugar, em que artistas tenham autonomia de verdade e em que comprar um ingresso não pareça uma corrida para quebrar o banco. O único caminho para chegar lá é com concorrência de verdade.

Por tempo demais, a Live Nation e a Ticketmaster mantiveram os fãs cativos. Agora, essa era está chegando ao fim.

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