AMOR E ÓDIO

A conturbada relação de Michael Jackson com o pai, Joe

Idealizador dos Jackson 5 costuma ser descrito como um dos pais mais ‘monstruosos’ da história da música pop

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Michael Jackson com o pai, Joe, em 1973 (Foto: Fotos International / Getty Images)
Michael Jackson com o pai, Joe, em 1973 (Foto: Fotos International / Getty Images)

Michael, a cinebiografia dirigida por Antoine Fuqua que promete mergulhar na trajetória de Michael Jackson, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 23. Um dos pontos a serem abordados pela obra será a conturbada relação do Rei do Pop com seu pai, Joe Jackson.

O filme, que traz Jaafar Jackson (sobrinho de Michael) no papel principal, destacará personagens importantes na vida do astro. Entre eles está o homem que, simultaneamente, arquitetou desde o início o sucesso dos Jackson 5 e deixou traumas psicológicos em seu filho mais famoso.

Falecido em 2018, aos 89 anos, Joe Jackson é frequentemente descrito como um dos pais mais “monstruosos” da história da música pop (via The Guardian). Ex-boxeador e operário de uma usina siderúrgica em Gary, Indiana, ele viu no talento dos filhos a grande chance de sair da pobreza.

No entanto, o preço dessa ascensão foi o que Michael descreveria mais tarde como uma infância roubada, marcada por um regime de disciplina que, muitas vezes, beirava a tortura.

Michael Jackson com a mãe, Katherine, e o pai, Joe, em 1973 (Foto: Fotos International / Getty Images)
Michael Jackson com a mãe, Katherine, e o pai, Joe, em 1973 (Foto: Fotos International / Getty Images)

A relação entre Michael Jackson e o pai

Relatos de Michael, presentes em sua autobiografia Moonwalk (1988) e em entrevistas icônicas como a concedida a Oprah Winfrey em 1993 (via Yahoo), descrevem o retrato de um pai que assistia aos ensaios com um cinto na mão. Qualquer erro na coreografia ou nota fora do tom resultava em castigos físicos.

Michael confessou que o medo que tinha de Joe durante a infância era tão grande que ele chegava a vomitar ou passar mal apenas com a presença do pai no mesmo ambiente.

Para Joe, o tratamento não era abuso, mas “treinamento”. Ele argumentava que sua rigidez manteve os filhos longe das gangues e das drogas que assolavam a vizinhança. Em sua visão, o sucesso comercial dos Jackson 5 e a segurança financeira da família justificavam suas atitudes.

Rompimento com Joe Jackson

A relação profissional começou a ruir à medida que Michael Jackson ganhava autonomia. Em 1979, após o lançamento do disco Off the Wall, a tensão atingiu o ápice. Michael, buscando identidade artística própria e o controle de sua carreira, tomou a decisão de demitir Joe como seu empresário. Posteriormente, o astro afirmou:

“Não é fácil demitir seu próprio pai.”

A transição foi marcada por ressentimentos e a busca constante de Michael por figuras paternas substitutas na indústria, dentre elas Quincy Jones, embora ele nunca tenha conseguido se desvencilhar totalmente de Joe.

Joe Jackson morreu em 27 de junho de 2018, nove anos após Michael Jackson. Ele sofria de um câncer pancreático terminal e foi sepultado nos arredores de Los Angeles, no mesmo cemitério em que o filho.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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