O surpreendente disco que mudou a vida de Rodolfo Abrantes — antes da conversão
Clássico álbum foi lançado por banda cujo cantor vivencia conflito público com Digão, ao lado de quem Rodolfo trabalhava no Raimundos
Igor Miranda (@igormirandasite)
Publicado em 24/03/2025, às 15h45
Na virada do século, Rodolfo Abrantes passou por uma conversão religiosa que mudou o curso de sua vida. E não apenas no âmbito pessoal: ele acabou por deixar o Raimundos, banda que o alçou ao estrelato. Após um período com o Rodox, o cantor e guitarrista lançou uma carreira solo focada na música cristã.
Por isso, é difícil imaginá-lo ouvindo Cada Dia Mais Sujo e Agressivo (1987), terceiro álbum de estúdio do Ratos de Porão. Porém, durante entrevista publicada em maio de 2000 na revista Bizz, Abrantes citou o disco em questão como o responsável por mudar sua vida.
Convidado a refletir sobre o trabalho, um clássico do hardcore/crossover thrash nacional, Rodolfo declarou, inicialmente:
“Eu tinha uns 13 anos e já me amarrava no Descanse em Paz (segundo disco do Ratos, lançado em 1986) quando ouvi Cada Dia Mais Sujo e Agressivo. Meus amigos compraram o disco e foi f#da. Acho que ele é muito bem produzido. Hardcore podrão e o João Gordo (vocalista) muito inspirado.”
Embora tenha citado que todo o disco merece atenção, o então vocalista e guitarrista do Raimundos destacou duas faixas. Ele disse:
“Não tem nada ruim no álbum. ‘Morte e Desespero’ é maravilhosa. ‘Tatoo Maniac’ mudou minha vida. Pivete, tudo o que eu queria era fazer uma tatuagem.”
Por fim, ao citar outras bandas de hardcore, Abrantes relembrou o grande diferencial do Ratos em sua opinião. O artista concluiu:
“Andava de skate e já ouvia Dead Kennedys, Suicidal Tendencies e algumas bandas europeias, mas o Ratos de Porão era mais violento, mais agressivo, mais sujo. E o melhor: dava para entender as letras.”
Raimundos: João Gordo vs. Digão
Rodolfo Abrantes não tem falado sobre Ratos de Porão ou João Gordo nos últimos anos, mas um de seus ex-colegas tem uma briga pública com o vocalista. Trata-se de Digão, guitarrista que também assumiu os vocais da banda após a saída de Abrantes.
Em entrevistas, Digão tem dito que nunca se deu bem com Gordo. Porém, a desavença se tornou declarada após o frontman do Ratos de Porão discordar publicamente de posicionamentos políticos manifestados pelo líder do Raimundos.
Nos primeiros momentos em que a briga chegou ao radar dos fãs, o caso chegou a gerar uma situação interna ruim no Raimundos. Canisso, baixista falecido em 2023, disse pelas redes que o colega estava “surtando” em meio à pandemia, “brigando com metade da cena” e “chamando até o João Gordo de pela-saco”.
Em 2022, o guitarrista do Ratos, Jão, entrou na briga. Após uma publicação em que Digão disse que a banda é composta por “fervorosos apoiadores do maior bandido político da história brasileira e MTST”, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Jão chegou a convidar o músico do Raimundos para resolver as diferenças “na porrada”. Digão recuou e declarou online que, na verdade, não estava criticando o grupo, apenas Gordo. Em entrevista posterior, afirmou ter feito as pazes com o guitarrista.
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