‘TENHO MUITO MEDO’

O forte alerta de Samuel Rosa ao público sobre os influencers musicais: ‘perigoso’

Artista lamenta que influenciadores digitais em “tom professoral” iludam pessoas “falando o que não sabem” sobre o sucesso: “o Skank dependeu do acaso”

Igor Miranda (@igormirandasite)

Samuel Rosa, do Skank, em 2020
Samuel Rosa, do Skank, em 2020 - Foto: Pedro Vilela / Getty Images

Samuel Rosa entende que o meio musical está “perigoso” atualmente. E na visão do vocalista e guitarrista do encerrado Skank, tal efeito é culpa de influenciadores digitais que discutem este segmento nas redes sociais em “tom professoral”, mas “falando o que não sabe”.

Em entrevista a Yella Fávaro para o TMDQA nos bastidores do festival Doce Maravilha, Samuel foi convidado a refletir sobre o tema. Mesmo com quase 40 anos de carreira e enorme sucesso conquistado, o artista admite que nem ele tem todo o conhecimento que muitos influencers parecem ter.

Inicialmente, ele afirmou:

“Tá perigoso hoje o meio musical. Estou vendo muita gente hoje comentando as coisas em tom professoral. Sabe, tem muito professor fuleiro aí nas redes, falando o que sabe, o que não sabe. Às vezes dou risada, porque falo: ‘Caramba, eu tenho uma carreira de quase 40 anos na música, com o Skank que vendeu mais de milhões, fiz vários hits, vários discos, e não tenho a certeza que tem esse cara, com metade da minha idade, nenhum hit na vida, nunca fez um álbum, não tem uma banda’. Eu acho aquilo estranho.”

Rosa destaca que é necessário ter cuidado com os conteúdos na internet, visto que “é tudo na base da persuasão e convencimento”. Enquanto muitos tentam conferir metodologia para o sucesso, o vocalista e guitarrista é categórico ao garantir: o Skank dependeu muito do acaso.

“Tem que tomar cuidado, porque a gente está vivendo hoje na era muito oral. É tudo na base da persuasão, do convencimento. As pessoas, às vezes, não têm currículo e tão ali falando em tom de autoridade. ‘Ó, faça isso, não faça aquilo’. Dou risada. Meu Deus, o Skank dependeu tanto do acaso, da sorte. Como que esse cara fala isso com essa certeza toda? Então, hoje… Por isso que nós estamos na época dos influencers.”

Para o artista mineiro de 59 anos, os “influencers” de antigamente existiam a partir de “alguma excelência na vida”. “Daí você começa a influenciar pessoas”, diz, antes de pontuar: “Hoje essa parte cortou e o que você faz não interessa, mas o que você fala”.

Ele concluiu:

“Aí eu digo pra algumas pessoas, aquele velho jargão do futebol: mas esse sujeito ‘jogou aonde’ pra falar com essa certeza toda? Tem que tomar muito cuidado com isso. As coisas não são tão simples. E o acaso, a sorte… Fico com muito medo dessa geração nova que está acatando esse tipo de regime que não atende ao artista, atende ao mercado.”

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por Tenho Mais Discos Que Amigos! (@tmdqa)

Samuel Rosa e Nando Reis

Samuel Rosa participou do Doce Maravilha, festival promovido no fim do último mês no Rio de Janeiro, com um show especial junto a Nando Reis. Além de amigos, os dois são parceiros criativos, pois compuseram juntos a música “Resposta”, lançada pelo Skank no álbum Siderado (1998).

+++ LEIA MAIS: Maconha? A real origem do nome Skank, segundo Samuel Rosa
+++ LEIA MAIS: Por que o Skank nunca teve um período de baixa? Samuel Rosa responde
+++ LEIA MAIS: As 3 bandas que fizeram o rock renascer no Brasil nos anos 90, segundo Samuel Rosa
+++ LEIA MAIS: Acústicos eram “ponte de safena” para as bandas, segundo Samuel Rosa

Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.
TAGS: samuel rosa, skank