3 erros e 3 acertos no megashow de Shakira no Rio
Colombiana foi escalada para segunda edição do Todo Mundo no Rio e, entre erros e acertos, animou a praia de Copabacana
Henrique Nascimento (@hc_nascimento)
Para celebrar uma história de amor de mais de três décadas com os brasileiros, Shakira ocupou as areias de Copabacana para comandar a segunda edição do Todo Mundo no Rio, que aconteceu no último sábado, dia 2 de maio. Junto com os dois milhões de lobos e lobas, a Rolling Stone Brasil marcou presença nesse momento histórico e, a seguir, destaca os principais erros e acertos da apresentação.
ERRO: Desperdício de hits em começo morno
Ao contrário de Lady Gaga e Madonna, que não se apresentavam há anos no Brasil antes de seus megashows em Copacabana, Shakira esteve por aqui recentemente com a turnê Las Mujeres Ya No Lloran Word Tour, em fevereiro de 2025. Foi esse mesmo show que a colombiana levou às praias de Copacabana e, por pouco, a decisão não se tornou o seu calcanhar de Aquiles.
Shakira começou em alta com “GIRL LIKE ME”, parceria com o Black Eyed Peas, levantando um público que já estava cansado pelo atraso de mais de uma hora da artista. Porém, quando a colombiana decidiu enfiar um medley de seus maiores hits, “Estoy Aquí”, as coisas pareceram menos promissoras.
Daí em diante, por mais ou menos vinte minutos de apresentação, Shakira explorou músicas mais tranquilas, sacrificando hits como “Rabiosa” (colaboração com Pitbull) e “Beautiful Liar” (com Beyoncé) no processo, o que baixou a energia dos presentes em Copabacana. Em momentos em que jogava o microfone para a plateia, esperando um retorno, a cantora recebia uma resposta fraca, constrangedora de um público que estava ansioso para não só ouvir o seu vozeirão, mas vê-la mexendo os quadris que a deixaram tão famosa.

ACERTO: A dobradinha “La Tortura” + “Hips Don’t Lie”
Quando o público já ameaçava desistir da apresentação e até Shakira parecia desanimada no palco — por problemas pessoais, como descobrimos pouco antes de a colombiana subir ao palco —, a cantora acordou a loba dentro de si e começou a enfileirar um hit após o outro, começando pela dobradinha “La Tortura” e “Hips Don’t Lie”, um dos pontos mais altos do megashow, que preparou terreno para o que viria na sequência.

ERRO: A participação de Anitta
Apesar de esperada e perfeitamente formatada para mais um grande momento do megashow, a apresentação de “Choka Choka“, recém-lançada parceria entre Shakira e Anitta, não brilhou. A brasileira tomou o palco após uma sequência de hits e o número foi satisfatório, mantendo a animação do público, mas a novidade acabou se perdendo em meio a sucessos de maior destaque como “La Tortura”, “Hips Don’t Lie” e “Can’t Remember to Forget You” (com Rihanna).
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ACERTO: Participações especiais de alto nível
Se a apresentação de Shakira com Anitta já não havia brilhado tanto por si só, ela foi completamente esquecida quando outros brasileiros subiram ao palco do Todo Mundo no Rio. Primeiro, foi Caetano Veloso que, munido com um violão, dividiu os vocais de “O Leãozinho” com a colombiana, em um momento necessário de respiro após alguns hits dançantes.
O descanso, no entanto, durou pouquíssimo: na sequência, foi a vez de Maria Bethânia, cuja voz ecoou ainda mais potente que a da colombiana. Juntas, elas cantaram “O Que É O Que É?“, clássico de Gonzaguinha, acompanhadas da bateria Pura Cadência da Unidos da Tijuca.
Para fechar as homenagens ao Brasil, foi a vez de Ivete Sangalo subir ao palco e, com a energia de sempre, preparar o público para o grand finale ao som de “País Tropical“, de Jorge Ben Jor.

ERRO: O uso excessivo de IA
Shakira iniciou a sua apresentação em Copacabana com um divertido show de drones luminosos, que encantou os presentes. No entanto, o efeito não foi o mesmo com as animações que complementavam o espetáculo Las Mujeres Ya No Lloran. Claramente feitas com a ajuda de ferramentas de inteligência artificial — ou por profissionais bem meia-boca, se for o caso —, as sequências eram desconfortavelmente ruins e geravam estranheza sempre que surgiam no enorme telão instalado ao fundo do palco.

ACERTO: O carinho com os brasileiros
Excessivo também — mas de uma forma bastante positiva — foi o carinho de Shakira com o Brasil. Em português, a artista celebrou, em diversos momentos, o acolhimento que recebeu dos brasileiros ao longo de três décadas: “Eu não posso acreditar que estou aqui com vocês. E pensar que cheguei aqui com 18 anos, sonhando em cantar pra vocês. Eu me apaixonei por você. E, agora, olha isso! A vida é mágica!”, declarou a colombiana.
“É mágico pensar que estamos aqui. Milhões de almas juntas, prontas para cantar, para se emocionar, para amar, para nos abraçar, para lembrar ao mundo o que é verdadeiramente importante”, acrescentou. “Definitivamente, não existe coisa melhor, para mim, quando uma Lobinha se encontra com a sua alcateia brasileira. Brasil, hoje e sempre, somos um!”
Antes de encerrar a apresentação ao som de “Bzrp Music Sessions, Vol. 53”, diss track que marcou o fim do casamento com o ex-jogador de futebol Gerard Piqué, Shakira desceu para se juntar à plateia, trocando carinho, beijos e selfies com os fãs, para retribuir todo o carinho que recebeu e continua recebendo de sua alcateia brasileira.

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