Como um membro do Iron Maiden fez um dos shows mais interessantes do Bangers
Projeto Smith/Kotzen, capitaneado por Adrian Smith e Richie Kotzen, apostou em sonoridade hard rock clássica e repertório para se contemplar
Igor Miranda (@igormirandasite)
Em coletiva de imprensa realizada no ano de 2024, quando o Bangers Open Air ainda se chamava Summer Breeze Brasil, um dos organizadores do festival declarou que o lineup nunca traria bandas realmente enormes do rock e heavy metal, pois não é este o perfil do evento. Um nome citado diretamente como exemplo foi o Iron Maiden.
Não quer dizer, contudo, que o Maiden não possa ser representado de outra forma pelo evento. No último domingo, 26, segundo e último dia da edição mais recente, o Bangers recebeu o guitarrista do grupo, Adrian Smith, para uma performance de seu outro projeto: Smith/Kotzen, formado junto do também guitarrista Richie Kotzen (The Winery Dogs, ex-Poison, ex-Mr. Big). Ambos se revezam nos vocais e também nos solos de seus instrumentos, estando acompanhados dos brasileiros Julia Lage (também esposa de Kotzen) no baixo e Bruno Valverde (membro do Angra) na bateria.
Com dois álbuns lançados, o Smith/Kotzen tem uma sonoridade bem distante do heavy metal. As principais referências são artistas e bandas de blues/hard rock da década de 1970, como Free, Bad Company, Thin Lizzy, UFO, Rory Gallagher, entre outros. Kotzen ainda traz um tempero diferente, pois seu background é ainda mais extenso e contempla o jazz. Tudo isso gera um som tipicamente “rock clássico”, guiado pelas guitarras.
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Logo no intervalo entre algumas das primeiras músicas, Smith reconheceu que boa parte da plateia poderia não conhecer canções como a básica abertura “Life Unchained”, “Black Noise” e a blueseira “Wraith”. Mas quem se importa? Estava agradável de se ouvir e assistir, seja pela interação orgânica entre Adrian e Richie ou por Julia estar visivelmente se divertindo muito enquanto circulava pelo palco e desfilava carisma em meio às suas destacadas linhas de baixo.
Foi um show focado em contemplação, não em reações enérgicas. Vez ou outra, Smith — que reconheceu em entrevista à Rolling Stone Brasil que o show no Bangers seria o maior da carreira do Smith/Kotzen até então — até assumia o posto de frontman ao pedir palminhas da plateia ou sair de seu “quadrado” no palco para lidar com os fãs, mas fugia à regra de tocar e sentir a música. Alguns dos melhores momentos vieram de canções como as grudentas “Taking My Chances” e “Running”, a envolvente “Got a Hold on Me” (com direito a solo final estendido) e “Blindsided”, dona de forte assinatura criativa do membro do Maiden.
Talvez o show ficasse mais interessante se houvesse mais momentos de improvisação como o de “Got a Hold on Me”, mas Smith admite, também à Rolling Stone, estar desacostumado a momentos mais espontâneos — praticamente inexistentes no Iron Maiden. Em termos de escolha de repertório, poderia ter rolado “You Can’t Save Me”, excelente canção da trajetória solo de Kotzen que vinha sendo tocada em outros shows. Mas nada que afetasse a experiência. Até porque o cover mais aguardado — “Wasted Years”, do Maiden, com Adrian no vocal — esteve presente no encerramento e gerou uma catarse coletiva notada naquele domingo, 26, apenas no show especial do headliner Angra.
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Smith/Kotzen no Bangers Open Air — repertório:
1. Life Unchained
2. Black Light
3. Wraith
4. Blindsided
5. Taking My Chances
6. Darkside
7. Got a Hold on Me
8. White Noise
9. Scars
10. Running
11. Wasted Years (original de Iron Maiden)
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