LANÇAMENTO

Alice Caymmi revisita legado do avô Dorival em álbum inédito

Lançado hoje, 30, data que Dorival completaria 112 anos, o novo projeto da artista incorpora arranjos modernos aos clássicos do mestre baiano

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Alice Caymmi homenageia obra do avô em su novo álbum, "Caymmi" (Foto: Divulgação)
Alice Caymmi homenageia obra do avô em su novo álbum, "Caymmi" (Foto: Divulgação)

As personagens mais icônicas que atravessam o cancioneiro de Dorival Caymmi (1914-2008) ganham uma roupagem contemporânea no álbum que sua neta Alice lança hoje, 30 de abril (aniversário de Dorival), pelo selo Daluz Música. Dora, Anália, Gabriela, a Morena do Mar  e a baiana da corrente de ouro retornam nas 12 faixas de Caymmi, projeto que revisita um dos repertórios mais emblemáticos da música brasileira, em uma releitura que dialoga com passado e presente.

O resultado é um olhar renovado e atual para clássicos como “Maracangalha”, “Dois de Fevereiro”, “Dora”, “Canto de Obá”, “Canção da Partida (Suíte do Pescador), “Morena do Mar” e “O que é que a baiana tem?”, entre outros. Alice Caymmi incorpora reggae, hip hop, salsa e batidas eletrônicas ao repertório do avô, sem perder de vista a força original das composições e valorizando uma ancestralidade em permanente transformação.

Quando Alice nasceu, há 36 anos, a obra de Dorival Caymmi já era maré cheia na história da música brasileira – com cerca de 120 composições gravadas. Décadas depois, ela almeja não apenas navegar nesse oceano, mas provocar novas correntes. O primeiro mergulho foi no dia 13 de março, com o lançamento do single “Modinha para Gabriela”, canção eternizada como tema de abertura da novela Gabriela (1975). Agora, o público pode conferir o álbum completo, com produção caprichada de Iuri Rio Branco. Na próxima quinta-feira, 7 de maio, às 20h, a cantora apresenta o repertório de Caymmi em uma apresentação no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, como parte da Série Petrobras.

“Atingi um ponto de maturidade ao entender a obra do meu avô como parte de mim, e não como um fardo. Ela caminha ao meu lado em vez de competir comigo. Por isso a ideia de gravar esse álbum. Olhando para minha história, percebi que era hora. A morte da minha tia Nana (Caymmi) mostrou que o momento tinha chegado. A obra do meu avô é eterna, mas não estava sendo eternizada. Chamei essa reponsabilidade para mim”, explica a cantora em nota.

A base do disco está em canções que ajudaram a consolidar a identidade musical do país ao longo do século XX. Em vez de reproduzi-las, Alice opta por deslocá-las. O produtor Iuri Rio Branco define o processo de trabalho ao lado da cantora: “O desafio foi trazer um olhar despretensioso para o repertório, já que Dorival é um dos compositores mais regravados da música brasileira. Procurei não me ater muito ao que já foi feito e seguir a minha assinatura musical, sempre com respeito. O resultado é um som direto ao ponto, com bastante batida e textura. O álbum carrega muito do que a Alice conta sobre o avô: um artista popular e conectado ao seu tempo. A diferença é que agora o tempo deste álbum é 2026”.

Tracklist

  1. O que é que a baiana tem
  2. Acalanto
  3. Modinha para Gabriela
  4. Canção da Partida (Suíte do Pescador)
  5. Canto de Obá
  6. Maracangalha
  7. Dora
  8. Dois de Fevereiro
  9. Adeus
  10. Eu não tenho onde morar
  11. Morena do Mar
  12. O Bem do mar

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Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. É editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
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