Patti Smith recebe o Prêmio Princesa de Astúrias das Artes 2026 na Espanha
Cantora e poetisa de 79 anos foi reconhecida pelo júri por conectar rock, poesia simbolista e espírito da contracultura
Kadu Soares (@kadusoares__)
A Fundação Princesa de Astúrias anunciou na última quarta, 29, que Patti Smith é a vencedora do Prêmio Princesa de Astúrias das Artes 2026. A cantora, poetisa e escritora americana de 79 anos foi escolhida pelo júri presidido pela coreógrafa espanhola de flamenco María Pagés Madrigal por uma trajetória que vai muito além da música, abrangendo poesia, fotografia, performance e videoinstalação. Em nota, a artista celebrou a distinção com duas palavras: “Arte e Amor.” Ela também lembrou que outubro marca os 50 anos de seu primeiro show na Espanha.
Smith chegou ao rock em 1975 com Horses, álbum considerado precursor do punk e um dos mais influentes da história da música americana. A obra, gravada com produção de John Cale, a transformou numa das artistas mais singulares de sua geração, não por seguir regras do gênero, mas por trazer para ele a densidade da poesia simbolista e o espírito de contestação da contracultura. Segundo o júri do prêmio, ela “expressou a rebeldia do indivíduo na sociedade em canções pulsantes, algumas das quais já se tornaram ícones da música popular de nosso tempo.”
Nascida em Chicago em 1946, Patricia Lee Smith já havia publicado livros de poesia antes de virar referência no rock. Ao longo das décadas, consolidou uma obra literária paralela à carreira musical, com destaque para o livro de memórias Só Garotos (2010), sobre sua relação com o fotógrafo Robert Mapplethorpe e a efervescência artística de Nova York nos anos 1970, e para a autobiografia Pão dos Anjos (2026). Em 2007, foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame.
A trajetória de Smith também é marcada pelo ativismo político e social. Ela participou de protestos contra a guerra do Iraque em 2003, defendeu publicamente as integrantes do grupo punk feminista russo Pussy Riot após a prisão delas em 2012 e assinou artigos contra o aquecimento global. Para a Fundação Princesa de Astúrias, a artista se tornou “uma comunicadora multidisciplinar e iconoclasta” cuja influência atravessa gerações e linguagens artísticas. Às vésperas dos 80 anos, ela acaba de encerrar a turnê internacional que celebrou os 50 anos de Horses.
O Prêmio Princesa de Astúrias das Artes é considerado um dos mais prestigiosos do mundo ibero-americano. Criado em 1981 e concedido anualmente pela fundação vinculada à herdeira da coroa espanhola, a princesa Leonor, o prêmio é acompanhado de uma dotação de 50 mil euros e de uma escultura do artista catalão Joan Miró. A premiação será entregue pelos reis Felipe VI e Letizia em outubro, numa cerimônia em Oviedo, capital das Astúrias. Em edições anteriores, foram contemplados nomes como Bob Dylan, Joan Manuel Serrat, Meryl Streep, Martin Scorsese e Pedro Almodóvar.
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