PROCESSO

Policiais processam Ben Affleck e Matt Damon por difamação no filme ‘Dinheiro Suspeito’

Segundo Jason Smith e Jonathan Santana, a representação das forças policiais no longa da Netflix teria causado “danos substanciais às suas reputações pessoais e profissionais”

Gabriela Nangino (@gabinangino)

Ben Affleck e Matt Damon em 'Dinheiro Suspeito'
Ben Affleck e Matt Damon em 'Dinheiro Suspeito' (Foto: Reprodução/TMDB)

Dois policiais entraram com um processo contra a empresa de Ben Affleck e Matt Damon por difamação, devido ao filme mais recente da dupla Dinheiro Suspeito (2026), dirigido por Joe Carnahan (A Perseguição). Segundo Jason Smith e Jonathan Santana, do Gabinete do Xerife de Miami-Dade, a representação das forças policiais no filme da Netflix teria causado “danos substanciais às suas reputações pessoais e profissionais”.

Os policiais alegam que o filme e seus anúncios “implicam má conduta, falta de bom senso e comportamento antiético em relação a uma operação policial real” (via EW). Embora Smith e Santana não sejam diretamente mencionados no longa, o processo afirma que os protagonistas foram baseados em um caso real envolvendo os dois policiais.

A Artists Equity é um estúdio de cinema independente fundado por Affleck, Damon e Gerry Cardinale em 2022. A queixa acusa a Artists Equity e a produtora Falco Productions de difamação direta e indireta. Além disso, os policiais entraram com um processo por danos morais.

Do que se trata Dinheiro Suspeito?

Dinheiro Suspeito acompanha a história de Dane Dumars (Damon) e JD Byrne (Affleck), tenente e sargento que descobrem um esconderijo com US$ 20 milhões (cerca de R$ 98 milhões, na cotação atual do dólar) em dinheiro vivo. O caso gera desconfiança à medida que pessoas de fora ficam sabendo da apreensão, fazendo os personagens questionarem em quem podem realmente confiar (via IMDB).

Ao longo do filme, a dupla revela a corrupção dentro do Departamento de Polícia de Miami-Dade. O longa começa com um texto afirmando ter sido “inspirado em eventos reais”.

Entenda a acusação

A acusação alega que Dinheiro Suspeito teria sido inspirado em um incidente ocorrido em junho de 2016, quando Smith e Santana apreenderam mais de US$ 21 milhões. Os autores da ação afirmam que “o uso de detalhes únicos e não genéricos da investigação de 29 de junho de 2016, combinado com a ambientação em Miami-Dade e a representação de uma equipe de narcóticos, cria uma inferência razoável de que os policiais retratados são os autores da ação”.

A queixa descreve vários momentos do filme em que os personagens “distorcem os procedimentos policiais padrão”, como uma cena em que o personagem de Affleck mata um agente da DEA (Administração de Combate às Drogas).

Embora o filme seja baseado em fatos reais e uma grande apreensão tenha de fato ocorrido, os policiais alegam que “os eventos retratados no filme não aconteceram”.

Smith e Santana relatam que, após o lançamento, familiares e colegas disseram que eles “devem ter usado os fundos apreendidos para fazer melhorias em suas propriedades, comprar veículos e embarcações e pagar a escola particular de seus filhos”. Segundo os advogados dos demandantes, isso indicaria que “os espectadores estão associando o Departamento de Polícia de Miami-Dade e os autores da ação às representações de corrupção em Dinheiro Suspeito“.

Em dezembro de 2025, os advogados enviaram uma carta às empresas responsáveis ​​pelo filme, elencando os detalhes difamatórios da obra e exigindo que elas “cessassem as atividades e desistissem de lançá-la”. O longa foi lançado em 16 de janeiro.

Agora, eles exigem “uma retratação e correção pública”, incluindo “a adição de um aviso de isenção de responsabilidade em destaque” no filme. Além disso, os dois policiais estão requisitando indenização por danos materiais e morais e o reembolso dos honorários advocatícios.

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Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.
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