PATENTE

Taylor Swift registra a marca de sua voz e imagem

A medida surge como um método de proteção contra o uso indevido de ferramentas de inteligência artificial

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Taylor Swift
A artista celebra o sucesso com participações especiais e interpolações, enquanto críticas destacam uma obra que mistura ousadia e emoção em igual medida (Foto: Brooke Sutton/Getty Images)

Taylor Swift solicitou o registro de sua voz e aparência como marca registrada, em uma aparente tentativa de proteção contra imitações feitas por inteligência artificial. Segundo a Variety, os pedidos de trademark foram feitos pela empresa da cantora na última sexta-feira, 24.

A cantora realizou três pedidos de registro de marca, feitos em nome da empresa TAS Rights Management. Duas das moções de patente enviadas ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos dizem respeito à marcas sonoras que abrangem sua voz. No primeiro áudio enviado, a estrela diz “Hey, it’s Taylor”, e no segundo, “Hey, it’s Taylor Swift”. Ambos foram extraídos de trechos que Swift gravou para o Spotify e a Amazon Music para promover seu álbum The Life of a Showgirl, no final de 2025.

A terceira marca registrada é uma marca visual, que abrange a estética e pose da cantora. Segundo a BBC, a foto escolhida para representar a imagem de Swift no pedido de registro de marca mostra no palco “segurando um violão rosa com uma alça preta, e vestindo um body iridescente multicolorido com botas prateadas”. O documento também descreve o cenário: “Ela está em um palco rosa em frente a um microfone multicolorido com luzes roxas ao fundo.” A imagem já foi usada anteriormente como uma das fotos promocionais oficiais do filme da turne Eras Tour, disponível no Disney+.

Os pedidos de registro de marca foram identificados pelo advogado de propriedade intelectual Josh Gerben, da Gerben IP. Segundo o jurista, os pedidos de registro de marca refletem a crescente preocupação entre os artistas da indústria do entretenimento sobre o potencial perigo da inteligência artificial em roubar a capacidade dos artistas de controlar sua voz e imagem sem o seu consentimento. Mesmo que as fotos e os trechos de áudio não sejam copiados diretamente, o registro de suas marcas registradas poderia permitir que ela impedisse a IA de usar sua imagem e voz de forma mais geral, afirma Gerben em seu blog .

“Ao registrar frases específicas associadas à sua voz, Swift poderia potencialmente contestar não apenas reproduções idênticas, mas também imitações que sejam ‘confusamente semelhantes’, um padrão fundamental na lei de marcas registradas”, escreveu o advogado. “Teoricamente, se um processo fosse aberto contra uma IA que usasse a voz de Swift, ela poderia alegar que qualquer uso de sua voz que soasse como a marca registrada viola seus direitos de marca registrada.”

“O mesmo vale para o registro da imagem. Se alguém criar uma versão da Taylor gerada por IA de um macacão com um violão, ou algo parecido, agora a Swift tem direito a um registro de marca federal.” A medida é a segunda criada por uma celebridade contra o uso da inteligência artificial, sendo criada após o ator Matthew McConaughey ter se tornado o primeiro ator a usar as regras de marcas registadas para tentar proteger a sua voz e imagem do uso indevido por inteligência artificial no início deste ano.

Versões de Swift já foram geradas por inteligência artificial de diversas maneiras nos últimos anos. A cantora já teve sua voz e imagem roubadas para a produção de imagens explícitas, um falso anúncio eleitoral compartilhado por Donald Trump em 2024 que incitava fãs a votarem no então candidato, sugerindo erroneamente que Swift é apoiadora do político, versões falsas de diferentes faixas de sua disografia em diversas línguas e por chatboxs de IA da Meta.

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Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. É editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
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